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Dólar Hoje (12/01): Moeda Americana Opera em Queda com Mercado em Alerta Máximo
Resumo:A abertura do pregão mostrou um dólar em recuo de 0.13%, sendo negociado a R$ 5.3589, mas os acontecimentos por trás dessa leve queda são de uma magnitude que pode reverberar por semanas.

Publicado em 12/01/2026
O início da semana de 12 de janeiro de 2026 trouxe um cenário inédito e turbulento para os mercados globais, com reflexos diretos na cotação do dólar comercial no Brasil. Diferentemente de movimentos guiados apenas por dados econômicos, a moeda americana e seus pares globais foram impactados por um terremoto institucional nos Estados Unidos, que ameaça reescrever as regras da política monetária global. Enquanto isso, no cenário doméstico, novos dados de inflação e os rumos de um acordo comercial histórico oferecem um contraponto. A abertura do pregão mostrou um dólar em recuo de 0.13%, sendo negociado a R$ 5.3589, mas os acontecimentos por trás dessa leve queda são de uma magnitude que pode reverberar por semanas. A conjugação de uma investigação criminal contra o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, com as persistentes tensões geopolíticas e comerciais entre EUA e China, cria uma tempestade perfeita de aversão ao risco e questionamentos sobre a solidez institucional da maior economia do mundo.
O Terremomo Institucional: A Investigação Criminal Contra Jerome Powell
Sem dúvida, o evento dominante que define o humor do mercado nesta segunda-feira é a notícia de que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) abriu uma investigação e enviou uma intimação ao presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell. A acusação, conforme revelada pelo próprio Powell em um vídeo no domingo (11), está relacionada ao seu testemunho perante o Senado americano em julho de 2025, sobre o projeto de renovação da sede do banco central. No entanto, o cerne da questão é muito mais profundo e perigoso.
Powell foi enfático ao caracterizar a ação como parte de uma “campanha contínua” do governo do presidente Donald Trump contra sua gestão, que se recusou a ceder a pressões políticas por cortes de juros mais intensos e acelerados. Em suas próprias palavras, Powell afirmou: “A ameaça de acusações criminais é uma consequência do Federal Reserve definir taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que servirá ao público, em vez de seguir as preferências do presidente”. Ele acrescentou que a questão central é se o Fed poderá continuar a atuar com independência, baseando-se em evidências econômicas, ou se será “dirigido por pressão política ou intimidação”.
Este evento é um ataque sem precedentes à autonomia do banco central mais importante do mundo. O mercado imediatamente internalizou os riscos: um Fed sob cerco político pode ser forçado a tomar decisões contra a sua melhor avaliação técnica, seja para evitar mais ataques (adotando uma postura mais dócil) ou para afirmar sua independência (mantendo juros altos por mais tempo, mesmo diante de pressões). A incerteza gerada por esse cenário criou uma onda de venda de ativos norte-americanos, fenômeno que alguns analistas já chamam de “Sell America”. A percepção de risco-país dos EUA aumentou, levando a uma desvalorização inicial do dólar global, refletida na queda do índice DXY em 0.36%, para 98.78 pontos. Esta é a principal razão pela qual o dólar abriu em queda frente ao real, contrariando a tendência de força observada nas semanas anteriores.
Impacto No Mercado Brasileiro: Dólar, Juros e Bolsa Reagem
O mercado cambial brasileiro respondeu rapidamente ao turbilhão externo. O dólar comercial à vista abriu a sessão cotado a R$ 5.37 e rapidamente ampliou os recuos, operando próximo a R$ 5.3589 na parte da manhã. Essa movimentação, porém, não reflete uma nova força intrínseca do real, mas sim uma desvalorização global do dólar motivada pela crise de confiança. É um movimento de fuga do ativo “dólar” em busca de outras praças ou de ativos de refúgio, e não uma migração maciça para o real.
No mercado de juros futuros, a reação foi mista. Contratos de curto e médio prazo, como o DI1F27 e o DI1F28, registraram leves quedas, refletindo um possível alívio nas expectativas de pressão inflacionária global caso a crise institucional nos EUA resfrie a economia. Contudo, contratos de prazo mais longo, como o DI1F35, mostraram pequena alta, sinalizando que o mercado ainda avalia os riscos de mais volatilidade e seus efeitos de longo prazo.
O Ibovespa futuro mostrou certa resiliência, avançando 0.31% para 165,745 pontos. Esse movimento pode ser explicado por dois fatores: primeiro, um possível influxo de capital estrangeiro em busca de mercados emergentes que possam ser vistos como menos conturbados institucionalmente; segundo, o efeito positivo para as empresas exportadoras listadas na bolsa com um dólar ainda em patamar elevado (mesmo com a queda do dia, a cotação permanece acima de R$ 5,35). A Bolsa brasileira parece estar navegando entre a atratividade de um câmbio favorável às exportadoras e a cautela com o cenário global adverso.
A Guerra Comercial e Seus Efeitos Persistentes
Apesar da crise no Fed dominar as manchetes, o documento relembra que a elevação de tarifas mútuas entre Estados Unidos e China continua a ser um fonte de instabilidade crônica para o câmbio e para os mercados globais. Esta guerra comercial, que desencadeia quedas e retomadas bruscas em bolsas ao redor do mundo, cria um pano de fundo de desglobalização e fragmentação que sustenta a volatilidade. Para o Brasil, um grande exportador de commodities, esse cenário é uma faca de dois gumes: por um lado, pode redirecionar fluxos comerciais para o país; por outro, suprime o crescimento global e a demanda por matérias-primas, além de pressionar os custos de importação de bens industrializados. Este é um dos fatores que, segundo especialistas citados no texto, contribuíram para a consolidação do dólar em um patamar estruturalmente mais alto, com projeções de estabilidade em torno de R$ 5.80 para 2026.
Inflação e Acordos Comerciais: O Cenário Doméstico
Em meio ao caos externo, o Brasil segue com sua agenda econômica. Nesta segunda-feira, o mercado acompanha a divulgação do IGP-M do primeiro decêndio de janeiro e a nova edição do Boletim Focus. Este último já trouxe uma notícia positiva: analistas reduziram suas projeções para a inflação em 2026. Este ajuste é crucial, pois dá mais margem de manobra ao Banco Central do Brasil (BCB) para continuar o ciclo de cortes da taxa Selic de forma mais suave, sem gerar picos de desconfiança. O coordenador do IPC da Fundação Getúlio Vargas (FGV), André Braz, já havia alertado que um câmbio alto e persistente exerce uma pressão lenta, porém constante, sobre os preços de itens comercializados globalmente, um repasse que ocorre de forma gradual nas transações.
Outro ponto de atenção doméstica é a reunião do presidente do BCB, Gabriel Galípolo, com o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo Filho, para tratar da liquidação extrajudicial do Banco Master. A resolução ordenada deste caso é fundamental para a estabilidade do sistema financeiro nacional e a credibilidade da regulação.
No front internacional positivo, há avanços em acordos comerciais que podem beneficiar o Brasil a médio prazo. A Comissão Europeia afirmou que o acordo comercial com o Mercosul, aprovado pelos governos da UE na sexta-feira, pode ser aplicado mesmo antes da ratificação pelo Parlamento Europeu. Além disso, o chanceler alemão Friedrich Merz aventou a possibilidade de um acordo de livre comércio entre a UE e a Índia ser assinado ainda no final de janeiro. Esses movimentos indicam uma corrida de outras potências para formar novas redes comerciais em resposta à política americana, e o Brasil, como parte do Mercosul, pode se beneficiar desse rearranjo.
Metais Preciosos e Petróleo: Os Refúgios em Meio à Tempestade
Em tempos de crise institucional e aversão ao risco, os metais preciosos brilham como refúgio por excelência. O documento relata que ouro e prata atingiram novos recordes impulsionados pela crise no Fed e por tensões geopolíticas adicionais, como as envolvendo o Irã. Este movimento é clássico: quando a confiança nas instituições e moedas fiduciárias é abalada, investidores migram para ativos reais e historicamente valorizados. O petróleo, por sua vez, apresenta dinâmica própria. Enquanto a administração Trump pressiona grandes petrolíferas, como a Exxon, a investir na Venezuela após a intervenção militar, o CEO da empresa classificou o país como “não investível”, gerando atrito público. A volatilidade geopolítica na principal região produtora do mundo sustenta os preços do barril, o que, por sua vez, alimenta pressões inflacionárias globais.
Conclusão: Uma Semana Definida Pela Geopolítica e Pela Política
O dia 12 de janeiro de 2026 entra para a história dos mercados não por um dado econômico, mas por um evento político-institucional de altíssima magnitude. A cotação do dólar hoje é apenas o primeiro reflexo visível de um terremoto cujos tremores secundários ainda serão sentidos. A investigação contra Jerome Powell coloca em xeque o pilar da independência dos bancos centrais, um dos fundamentos do sistema financeiro global pós-guerra. Enquanto esse drama se desenrola, as guerras comerciais e a reconfiguração de alianças geopolíticas seguem seu curso.
Para o real brasileiro, o cenário é de cautela extrema. A queda inicial do dólar pode se provar fugaz se a crise nos EUA escalar, podendo inclusive reverter em uma fuga generalizada para a liquidez, que historicamente fortalece o dólar em momentos de pânico agudo. A trajetória do câmbio nesta semana dependerá menos de indicadores econômicos tradicionais e mais dos desdobramentos legais e políticos em Washington, dos posicionamentos de outros bancos centrais e da busca por refúgios seguros como ouro e títulos de dívida de países considerados estáveis. O mercado brasileiro, portanto, deve se preparar para uma volatilidade elevada e guiada por notícias, onde a análise técnica cede espaço à análise política em tempo real. A recomendação para investidores é de hedge e diversificação, pois os ventos que sopram de Washington nesta segunda-feira são carregados de incerteza sem precedentes.

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